Logline, sinopse, argumento, escaleta. Preciso de tudo isso para criar um roteiro?

Atualizado: 7 de Abr de 2020


Se estiver prestando serviço para um cliente e ele solicitar, sim, você deverá entregar os documentos de acordo com o solicitado.


Mas se for um roteiro SEU, você tem toda a liberdade para definir o processo para escrevê-lo.


O método tradicional é esse:


01. Logline

02. Sinopse

03. Argumento

04. Escaleta

05. Roteiro


E a primeira coisa que você precisa saber é que seguir esse método tradicional não garantirá a sua produtividade.


O que garantirá a sua produtividade é você se conhecer o suficiente para saber como a sua mente de roteirista funciona e assim, trabalhar dentro do método que melhor combina com você.


Há roteiristas que se adaptam muito bem ao esquema logline/sinopse/argumento/escaleta. Outros, não. Se você perceber que a sua mente trava, que você demora dias para avançar, que a sua cabeça "ferve" tentando começar pela logline e ela não sai de jeito nenhum, não se sinta mal.


Isso não é falta de esforço da sua parte, não é preguiça, não é questão de estudar mais. Significa simplesmente que esse esquema de criação tradicional não funciona para você. E está tudo bem.


Nesse caso, o que você precisa fazer é encontrar o seu método ideal, aquele em que tudo flui naturalmente, sem travas, sem bloqueios, sem estresse.


Foi assim que eu fiz. Para projetos meus, escrevo o roteiro direto com apenas um fiapo de ideia na cabeça. Não sei o que vai acontecer, o final, nada. Meu foco é criar uma história interessante para o público.


Para mim, não saber para onde estou indo é a beleza do processo, é o que ativa a minha criatividade para preencher as lacunas, encaixar cenas, montar todo o quebra-cabeça.


Eu gosto de vivenciar a aventura junto com o protagonista. Minha parte preferida é colocar os personagens em situações sem saída (sem ter a menor ideia de como vou resolver) e mandar minha criatividade se virar.


E dessa forma eu escrevo extremamente rápido, de uma forma leve e constante. Produtividade total.


Agora, se você me perguntar se esse é um bom processo criativo para um roteirista, minha resposta será:


- É bom...para mim. Para outro roteirista, pode ser desastroso.


Portanto, diante de qualquer método de trabalho, use o seu senso crítico para analisá-lo e testá-lo. Se perceber que é perfeito para você ou que melhora o seu processo, adote-o. Caso contrário, abandone-o sem culpa, teste outro ou crie o seu próprio.


Trabalhar da forma que sua mente funciona melhor é o que garantirá sua produtividade como roteirista, além de deixar todo o processo muito mais fácil, leve e divertido.


Leda Ene

Roteirista

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