Como ser roteirista.

Atualizado: 4 de Abr de 2020

Quer saber como ser roteirista? Esse é o passo a passo de tudo que você precisa para se tornar um.


1. Tenha uma fonte de renda paralela.


Até que você consiga uma oportunidade na área, terá que testar suas habilidades de escrita, descobrir sua voz como roteirista e montar portfolio.


Tudo isso leva um certo tempo e exige dedicação. Dificilmente você conseguirá trabalho como roteirista nessa fase inicial. Por isso, precisará de um emprego/fonte de renda para sustentá-lo até que você consiga entrar profissionalmente no mercado.


2. No primeiro ano, siga esse roteiro de estudos e prática:


A) Primeiramente, leia um livro que apresente a você os fundamentos desse ofício. Recomendo o "Story". O autor, Robert Mckee, é um respeitado especialista em roteiros e consultor, considerado mentor dos roteiristas de Hollywood.


B) Em seguida, aprenda as técnicas de roteiro e as regras. Você pode facilmente aprender lendo um roteiro profissional (há vários disponíveis na Internet) ou pesquisando no Google. Há inúmeros sites e blogs dedicados a ensinar. Você pode adquirir livros técnicos também.


Obs: não existe um manual contendo absolutamente todas as possíveis situações que um roteirista pode criar. Então, se você estiver criando uma cena e não encontrar facilmente qual a formatação certa para escrevê-la, não se preocupe. Apenas use o seu bom senso e insira a cena com o máximo de clareza possível.


C) Comece a usar um software de roteiro e acostume-se a escrever nele. Eu gosto muito do Writer Duet por ser simples, funcional e objetivo.


D) Comece a treinar sua habilidade escrevendo pequenos roteiros. Esquetes de 2-3 páginas são um bom começo. Depois, tente um curta de 10-15 páginas. Por fim, escreva seu primeiro longa-metragem com 90-100 páginas.


Mas e a faculdade de cinema, pós-graduação, cursos?

Você não precisa ser formado em cinema nem fazer cursos, aqui ou no exterior, para se tornar um roteirista profissional. Claro, se desejar você pode fazer, mas entenda que diplomas e certificados "não contam pontos" na hora da contratação como acontece em outros mercados. O que interessa para o contratante é a qualidade do seu roteiro, ou seja, a sua habilidade concreta de criar e contar histórias que gerem interesse.


3. No segundo ano, monte seu portfolio.


Um ano inteiro para montar portfolio? Sim. Porque não é só desenvolver o roteiro e sim lapidá-lo exaustivamente.


Para isso, você deve fazer cerca de 100 tratamentos para cada um. Literalmente. Tratamento é o nome técnico dado a uma revisão do início ao fim. Você vai melhorando a trama, os personagens, os diálogos, a escrita, cada detalhe do seu roteiro até que ele esteja vendendo o seu melhor como roteirista.


Mexa no roteiro várias vezes por dia e vá relendo. Encare-o como uma música harmônica e comece a ler. Você conseguirá facilmente detectar quando algo "desafinar". Pode ser uma cena, um diálogo ou uma simples palavra. Corrija e siga em frente, sempre melhorando.


A cada três dias, deixe o roteiro quieto por um dia inteiro e só então volte a trabalhar nele. Nossa visão e atenção ficam "viciadas" quando trabalhamos demais em um texto. Esse "respiro" vai revelar erros bobos que você deixou passar.


4. Registre seus roteiros.


Quando finalizar os inúmeros tratamentos dos seus roteiros e eles estiverem vendendo o seu melhor, registre-os na Biblioteca Nacional da sua cidade. Vá pessoalmente para que você já receba o protocolo. O registro final chegará no seu endereço meses depois.


Obs: Jamais disponibilize um roteiro na Internet ou envie para alguém sem ter registrado. É responsabilidade do roteirista proteger suas obras.


Agora, alguns esclarecimentos sobre a profissão de roteirista.


A) Diferença entre ser roteirista e ser escritor


As duas profissões trabalham com escrita, mas são ofícios completamente diferentes. O escritor tem domínio e controle total sobre a obra. A história que sai da mente dele é o produto final que chega ao público.

Já o roteirista é parte de uma enorme engrenagem. Ele cria a história a partir da qual uma equipe gigante vai trabalhar para transformar em produto de entretenimento. E nessa transformação, a história original poderá sofrer alterações nas mãos do diretor. Ou seja, como roteirista, você NÃO terá controle sobre a sua obra.

A escrita de livros de ficção é um exercício lento e pessoal de estilo. Aqui entram metáforas, frases poéticas, descrições de cinco páginas e todo tipo de adorno literário.

Já o roteiro é um texto prático, quase técnico. Ele conta uma história com foco em ações objetivas, descrições claras e diálogos enxutos.

2. Tudo bem para você trabalhar à noite, nos fins de semana e feriados?

O audiovisual é um mercado diferenciado. Não segue regras de empregos tradicionais. O roteirista pode trabalhar em casa e acordar mais tarde, o que é ótimo.

Por outro lado, não tem esse papo de "sábado é minha folga", "deu 5 e meia, paro tudo". Você trabalhará o tanto que for necessário para cumprir o prazo e atenderá seus clientes todos os dias, a qualquer hora.


3. Você será feliz escrevendo a história dos outros?

Sim, você também irá escrever a história de outras pessoas. Será contratado para desenvolver roteiros a partir de argumentos/sinopses criados por terceiros. Você irá gostar de desenvolver ideias e histórias alheias do mesmo jeito que gosta de desenvolver as suas?

4. Amar filmes e séries está longe de ser suficiente para alguém se tornar roteirista

Esse é um ofício (quase sempre) solitário de escrita criativa. Você está preparado para ficar horas e horas na frente do notebook escrevendo, lapidando, reescrevendo, alterando, melhorando? Está preparado para escrever 100 páginas de um longa?


Porque essa é a rotina do roteirista:) Seja bem-vindo!


Leda Ene

Roteirista

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